Tese: O processo histórico de opressão de professoras negras: uma história sobre representações culturais de mulheres docentes e a branquitude no ensino superior brasileiro (1988-2016)

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Divulgamos, a pedido da autora Ana Laura Bonini Rodrigues de Souza, sua tese de título “O processo histórico de opressão de professoras negras: uma história sobre representações culturais de mulheres docentes e a branquitude no ensino superior brasileiro (1988-2016)”, disponível no endereço: https://hdl.handle.net/11449/319953. O trabalho foi orientado pela docente Rosane Michelli de Castro, na Unesp/Faculdade de Filosofia e Ciências – Campus de Marília, SP. 

Resumo:

Esta tese é decorrente de pesquisa de doutorado centrada em reflexões sobre questões que transitam nas ausências de mulheres negras nos espaços docentes em nível superior brasileiro. Trata-se de reflexões realizadas em perspectivas históricas-culturais em que se compreende que essas ausências são decorrentes da relação colonial Norte-Sul, as quais professoras negras foram impostas, e que a branquitude constituiu-se em um privilégio para estar na docência, sobremaneira no Ensino Superior. Tal formulação surgiu a partir da hipótese de que as ausências da categoria social negra no Ensino Superior revelam silêncios e opressões que fazem morada histórico-culturalmente nas (re)existências de mulheres professoras/pesquisadoras. E a problematização inicial foi de que: as mulheres brasileiras e europeias professoras do Ensino Superior, feministas, as quais também são cientistas, participantes desta pesquisa, compreendem que as produções científicas e o lócus dos Ensinos Superiores estão envoltos de relações coloniais que privilegiam e validam, conhecimentos brancocentrados, europeus e masculinos? Consiste em uma investigação científica acerca de sete mulheres professoras/pesquisadoras participantes da Rede colaborativa para com questões de gêneros (1988-2016), sediada em uma Universidade Paulista, baseada em entrevistas na perspectiva metodológica da História Oral e nas micro-histórias, presente na Nova História Cultural, nos estudos da branquitude, e o necessário tangenciamento das perspectivas feministas interseccionais e descoloniais, possibilitando analisar compreensões das trajetórias de mulheres brasileiras e europeias, dentre elas, brancas e negras, atuantes na docência do Ensino Superior, justamente para propiciar futuras análises dos impactos e desdobramentos para com as opressões de professoras negras na conjuntura da ciência-acadêmica, e os privilégios brancos para com a subcultura feminina docente.

Portanto, o objetivo geral foi analisar e interpretar elementos das representações culturais de mulheres sobre a dominação manifesta na branquitude, a partir das narrativas de docentes latino-americanas e europeias, participantes de uma rede colaborativa para com questões de gêneros, sediada em uma Universidade Paulista, com o recorte histórico delimitado no período entre as décadas de 1988 a 2016. Daí que a metodologia articula as preocupações advindas das representações culturais às da História Oral, à medida em que nos relatos orais das professoras participantes da pesquisa, ou seja, em micro-histórias, e em informações contidas em fontes documentais que abordam o quantitativo de mulheres presentes nos Campi da Universidade em questão, indícios dessas representações que se materializam. Os resultados foram encontrados durante as análises dos relatos orais, na compreensão das intencionalidades participantes em suas ações e posicionamentos, já que nossos lugares ocupados, experiências, escolhas práticas, teóricas ou/e políticas, possuem intenção. E o encontro com as microcolonizações que acontecem entre o próprio grupo de pessoas oprimidas, no presente caso: todas dentro da categoria de gênero feminina. A conclusão foi de que a colonização se reproduz e se sedimenta diariamente no campo micro, até mesmo o científico, dentro das próprias relações de gêneros e suas intersecções, as quais são envoltas de hierarquias da branquitude que são continuamente reconstruídas para a manutenção de privilégios e manutenções no campo científico, reforçando a humanidade presente em ser branco – com referência o patriarcado sexista e heteronormativo colonial, ou seja, o branco, masculino e heterossexual europeu. 

Palavras-Chave: História da Educação; Relações de Gêneros e Raça na docência; Branquitude; Ausências negras no Ensino Superior; Nova História Cultural; História Oral.

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