Diversão que educa: corridas de cavalos em Curitiba (1873–1897) como espaço de instrução social e comportamental

Pesquisa publicada na Revista Brasileira de História da Educação revela como as corridas de cavalos funcionaram como ambientes de aprendizagem social na Curitiba oitocentista

As práticas de entretenimento, para além da escola, também são espaços de formação social. É o que demonstra o artigo “Instruindo-se para e pelo divertimento: as corridas de cavalos em Curitiba (1873–1897)”, de Leonardo do Couto Gomes e Wanderley Marchi Júnior, publicado na Revista Brasileira de História da Educação (v. 25, 2025).
https://doi.org/10.4025/rbhe.v25.2025.e348

O estudo examina como as corridas de cavalos realizadas em Curitiba, entre 1873 e 1897, constituíram um mecanismo de instrução social, difundindo normas de comportamento, condutas morais, expectativas de convívio e práticas organizativas. A pesquisa amplia o entendimento da história da educação ao considerar que ambientes de lazer também são portadores de intencionalidades educativas, na qual públicos aprendem formas de agir, conviver e participar da vida social.

Com base na análise de jornais e documentos da época, os autores identificam transformações importantes no modo como o turfe se organizava na capital paranaense. Inicialmente associado a práticas espontâneas, sem regulamentação formal, o evento passou a se estruturar com regras, regulamentos, exigências de vestimenta, critérios de participação, horários e premiações. Esses elementos, segundo o estudo, configuraram um verdadeiro regime de instrução moral e social, no qual participantes e espectadores eram conduzidos a aprender comportamentos considerados adequados para a vida urbana oitocentista.

As corridas de cavalos, portanto, constituíam-se como espaços de “instrução para e pelo divertimento”, nos quais o lazer operava simultaneamente como prática de sociabilidade e como dispositivo de formação de atitudes — tais como civilidade, respeito às normas, disciplina e apreciação de certos valores compartilhados.

“Ao acompanhar o desenvolvimento das corridas de cavalos em Curitiba, percebemos que esses eventos funcionaram como polos de instrução social, na qual se aprendia a participar da vida urbana segundo códigos e expectativas que extrapolavam o âmbito esportivo”, afirmam os autores.

O estudo contribui para a historiografia da educação ao demonstrar que processos formativos se desenvolvem também em espaços não escolares, ampliando o olhar sobre ambientes de socialização e sobre práticas culturais que moldaram comportamentos na sociedade brasileira do século XIX.

Sobre os autores

Leonardo do Couto Gomes – Doutor em Educação pela UFRJ, na linha História, sujeitos e processos educacionais. Professor colaborador do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro). Pesquisa História da Educação Física e do Esporte, História dos Divertimentos e do Lazer e História da Educação. E-mail: leonardodocoutogomes@gmail.com

Wanderley Marchi Júnior – Doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas. Professor Titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atua nos Programas de Pós-Graduação em Educação Física e em Sociologia da UFPR. Coordena o grupo de pesquisa CEPELS – Centro de Pesquisas em Esporte, Lazer e Sociedade (CNPq). E-mail: wmarchijr@gmail.com

Editor-associado responsável: Eduardo Lautaro Galak (UNLP, Argentina) – https://orcid.org/0000-0002-0684-121X

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