“Uma história dos futuros imaginados da profissão docente: análise do discurso pedagógico”
Caras(os) sócias(os),
Divulgamos, a pedido da autora Lara Chaud Palacios Marin, sua tese de título “Uma história dos futuros imaginados da profissão docente: análise do discurso pedagógico”, disponível no endereço: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-04122025-160655/pt-br.php. O trabalho foi orientado pela docente Ana Laura Godinho Lima, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Resumo: No século XX, a educação foi encarada como um recurso à construção do futuro e os professores, como os sujeitos responsáveis por promover o progresso mediante a atuação diária com os estudantes, considerados a geração do amanhã. A profissão docente passou a ser vista como uma posição estratégica na promoção de um mundo melhor e aquilo que se imaginava para os professores do amanhã tornou-se objeto significativo do discurso pedagógico. Atualmente, os estudos sobre o futuro da profissão docente contemplam questões sobre o desenvolvimento profissional do professor, as representações em torno da figura docente e da função que o professor exerce na sociedade, as possibilidades de manutenção dessa profissão, os receios de sua precarização, a história da profissão docente e o futuro da educação. No entanto, o estudo da história sobre o futuro dos professores permanecia inexplorado. Portanto, este trabalho tem o objetivo de caracterizar o discurso pedagógico sobre o futuro da profissão docente no contexto do movimento da Escola Nova. Ele fundamenta-se nas teorias sobre a ideia de futuro na modernidade, nos estudos acerca dos saberes profissionais dos professores e na história transnacional da educação para investigar, em diversos materiais, aquilo que foi enunciado por intelectuais, especialistas, professores e demais agentes educacionais a respeito do futuro da profissão docente. A tese faz uma análise do discurso, conforme proposta por Michel Foucault, para compreender o que era almejado ao futuro dos professores entre 1930 e 1965 no Brasil. Para isso, investiga a Revista dos Professores (1934-1965); a autobiografia da professora do ensino primário Botyra Camorim, Uma vida no magistério (1962); o estudo sociológico de Aparecida Joly Gouveia sobre o futuro das normalistas, Professoras de amanhã (1965), além de livros de intelectuais e os Manifestos da educação nova. Utilizando a perspectiva transnacional, mobiliza ainda materiais anteriores e posteriores ao período investigado como forma de compreender as apropriações, suspensões, semelhanças e diferenças entre os discursos pedagógicos brasileiro e estrangeiro em um período mais alargado. Para isso, examina alguns escritos do movimento da Escola Nova produzidos entre 1897 e 1926 e os relatórios sobre educação da UNESCO publicados em 1972, 1996 e 2021. Como resultados, a tese indica que o futuro dos professores deveria estar sujeito à sua função social de construir o progresso, a atuação docente deveria estar alinhada aos preceitos científicos da modernidade para executar essa função e as condições de trabalho do professor deveriam melhorar, caso contrário, o futuro estaria comprometido. O trabalho demonstra como a profissão docente servia à vontade de futuro na modernidade e como o futuro dos professores era pautado a partir do que se desejava para a sociedade do amanhã. Os docentes eram valorizados quando encarados como promotores do progresso social e desvalorizados quando vistos como resistentes às inovações pedagógicas. A partir da análise realizada, a tese contribui para a reflexão sobre as continuidades e as rupturas do discurso pedagógico acerca do futuro da profissão docente.
