Nota da SBHE – Somos todos Museu Nacional

Nesse ano de 2018, o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), completaria 200 anos de existência!

Funcionando no prédio que foi residência da família Imperial, o Museu se situa em um belo parque no bairro de São Cristóvão, onde as famílias costumam levar os filhos para brincarem e visitarem o Jardim Zoológico e o Museu. Este último agrada a garotada, por exibir peças como uma múmia e a ossada de uma baleia, de tamanho colossal.

A instituição reunia um acervo inestimável para a ciência e a cultura nacionais, com cerca de 20 milhões de peças. Entre estas, o esqueleto humano mais antigo encontrado nas Américas (a Luzia), bem como acervos de botânica e zoologia, trazidos pelos cientistas e artistas em missão nas terras brasílicas, tempos atrás. Mencionamos, ainda, o acervo de línguas indígenas, por sua particularidade e importância histórica.

O prédio também foi sede do primeiro curso de pós-graduação em antropologia social do país, fundado em 1968 e reconhecido pela CAPES, que lhe concedeu, desde o início, e mantém, ainda hoje, o grau máximo do processo de avaliação. O Museu mantinha convênio com escolas da rede pública do Rio de Janeiro, com programas educativos de inequívoca relevância social.

Ontem, 02 de setembro de 2018, uma das mais antigas e reconhecidas instituições do gênero no país sofreu um incêndio de proporções irreparáveis, agravado pela falta de água nas instalações do prédio. Assim, não foi possível aplacar, com a rapidez necessária, a propagação das chamas que destruíram a nossa memória e história, aniquilando o nosso passado. Destruíram, também, a nossa cultura presente, bem como reduziram a cinzas o patrimônio nacional, que é de todos os brasileiros, empobrecendo, ainda mais, as expectativas de futuro da população.

Como sabemos, o fogo que, nos últimos quatro anos e por quatro vezes, já assolou instalações da UFRJ, não foi causado exclusivamente por fatores acidentais, mas sim, pelo total descaso das autoridades políticas que (des)governam o nosso país. As medidas de contingenciamento econômico - agravadas ao último grau pela decisão do Governo Federal de congelar, por 20 anos, os gastos com serviço público - são a principal causa das tragédias anunciadas.

A Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE) se solidariza com o Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e com os pesquisadores, funcionários, professores e alunos do Museu Nacional.

A SBHE apoia a luta em defesa da Universidade pública, gratuita e democrática; pela preservação de nossa história e patrimônio cultural; pelo investimento na produção de conhecimento que é a chave para a melhoria da qualidade de vida da população e do desenvolvimento nacional.

A SBHE se soma à luta contra o descaso das autoridades governamentais para com o conhecimento, a ciência e a educação.

Diretoria da SBHE - Rio de Janeiro, 03 de setembro de 2018.