[EN]
CALL FOR PAPERS
Between Paris and PISA: 200 years after the Esquisse et vues préliminaires d’un ouvrage sur l’éducation comparée by Marc-Antoine Jullien de Paris: Historical approaches to Comparative Education
ESC – Education, Society and Cultures [special issue]
Manuscripts due: January 15, 2017 (extended dealine)

 

Guest Editors
 
Luís Grosso Correia, Universidade do Porto, Portugal 
Ana Isabel Madeira, Universidade de Lisboa, Portugal
Marcelo Caruso, Universidade Humboldt, Berlin, Germany

Issue Rationale

On the 200th anniversary of the publication of the first essay on comparative education by Marc-Antoine Jullien de Paris, Educação, Sociedade & Culturas, the journal of the Centre for Research and Intervention in Education of the Faculty of Psychology and Education Sciences of the University of Porto, is dedicating a special issue (to be published in 2017) to the theme historical approaches to comparative education.
 
In the definition and construction of early liberal regimes, mass education was usually viewed as based on the three R’s (reading, writing and arithmetic). It was credited with the capacity to stimulate the cognitive skills of individuals and, consequently, it was defined as a political, economic, cultural and technological achievement. In light of the social contract between citizens and political authorities, the nation-state was to take the leading role and responsibility in the implementation of education policies (compulsory schooling, primary and post-primary education and training, whether formal or non-formal). The state did so by shaping or embedding, at national level, a governance model (popular among European/Western countries) based on the educational “machinery” (public financing; supervision, inspection and official regulation; teacher training; curricula, syllabi, assessment, tests and diplomas; renovated technologies, resources and teaching methods, etc.). In addition, these actions were regularly “tuned” according to national and international trends.
 
International cooperation and comparison in education issues emerged from the very beginning as part of the endeavor of comparative education. This was particularly central to Marc-Antoine Jullien’s essay from 1817, calling on European intellectuals to collect, organize and submit data on particular systems of education. This close link accompanied the development of Comparative Education as a discipline. Education technologies and studies displayed at World Exhibitions (especially from the 1867 Paris exhibition onwards) strengthened its foundation. The establishment of the the Bureau International des Écoles Nouvelles by Adolphe Ferrière, in Geneva, in 1894, studies on other national education systems undertaken by the United States after World War I, the circulation of specialized journals since the 1920s (for example, the Educational Yearbook by the Teachers College, Columbia University, between 1924 and 1944), the creation of inter-governmental organizations such as the Bureau International d’Éducation, in Geneva, in 1925, UNESCO under the aegis of the United Nations, in 1945, or the Organization for Economic Co-operation and Development (OECD), in 1961, reinforced this long-term trend.
 
António Nóvoa stated that comparative education is, at its roots, a study on the Other. Jürgen Schriewer stressed that this study of the Other never lost its self-referential value and function. This intricate otherness of education has, according to the aforementioned authors, been performed under different historical, theoretical and methodological trends and perspectives (to know, to understand, to construct and to measure the other) or as a mode of cognitive governance, but also derived from that which can be termed cognitive struggles – led by transnationally-oriented discourses, models and players.
 
Between Marc-Antoine Jullien de Paris’ essay and the results of the Program for International Student Assessment (PISA), implemented by the OECD from 2000 onwards, a wide range of theories, methods, approaches, views, technologies and political steering have emerged, as well as struggles regarding comparative education on the international scale. We welcome article proposals on different histories of comparative education and its interconnections with the internationalization of education in the following languages: French, English, Portuguese or Spanish/Castilian.
 
 -----------------------------------------------------

[PT]
CALL FOR PAPERS
Entre Paris e PISA: 200 anos do Esquisse et vues préliminaires d’un ouvrage sur l’éducation comparée de Marc-Antoine Jullien de Paris: Abordagens históricas da Educação Comparada
Número especial da ESC – Educação, Sociedade & Culturas
Submissão prorrogada até 15 de janeiro de 2017

 

Organizadores/as Convidados/as

Luís Grosso Correia, Universidade do Porto (Portugal)
Ana Isabel Madeira, Universidade de Lisboa (Portugal)
Marcelo Caruso, Universidade Humboldt, Berlim (Alemanha)
 
 
Nos 200 anos da publicação do primeiro ensaio de Educação Comparada por Marc-Antoine Jullien de Paris, a Educação, Sociedade & Culturas, revista científica do CIIE – Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, dedica um número especial (a publicar em 2017) ao tema abordagens históricas da educação comparada.
 
Na definição e construção das sociedades ocidentais de base liberal, a educação de massas foi usualmente considerada como uma capacidade de leitura, escrita e cálculo que geraria efeitos nas técnicas de cognição dos indivíduos e, consequentemente, em resultados do ponto de vista político, económico, cultural e tecnológico. Na época contemporânea, o Estado-Nação assumirá, no quadro do contrato social com os cidadãos, o principal papel e responsabilidade na implementação de políticas públicas de educação (escolaridade obrigatória, básica, secundária, profissional, segundo modalidades formais e não-formais), replicando e retraduzindo, a nível nacional, um modelo de governança (comum aos estados europeus ou ocidentais), assente numa “maquinaria” pedagógica, profissional, técnica e administrativa da educação (financiamento público; supervisão, inspeção e regulação oficial; formação profissional de professores; currículos, programas escolares, avaliação, exames e diplomas; tecnologias, recursos e métodos pedagógicos renovados; etc.), regularmente “afinada” segundo as conjunturas político-educativas nacionais e internacionais.
 
A cooperação internacional emergiu como elemento central desde os primeiros esforços científicos de educação comparada. Esta preocupação foi particularmente enfatizada no ensaio de Marc-Antoine Jullien de Paris editado em 1817, exortando os intelectuais europeus a recolher, organizar e divulgar dados sobre os diferentes sistemas educativos, e linha de estudo que tem acompanhado o desenvolvimento da disciplina de Educação Comparada. As tecnologias educativas e estudos exibidos nas exposições universais (especialmente a partir da de Paris, em 1867), assim como a fundação do Bureau International des Écoles Nouvelles por Adolphe Ferrière, em Genebra, em 1894, os estudos norte-americanos sobre outros sistemas educativos nacionais após a I Grande Guerra, a circulação de revistas especializadas desde a década de 1920 (por exemplo, o Educational Yearbook do Teachers College, Universidade de Columbia, entre 1924 e 1944), a criação de organização intergovernamentais como o Bureau International d’Éducation, em Genebra, em 1925, a UNESCO sob a égide da Organização das Nações Unidas, em 1945, ou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 1961, reforçaram o campo disciplinar da educação comparada quando perspetivado na longa duração.
 
António Nóvoa afirmou que a Educação Comparada é, na sua raiz, um estudo sobre o Outro. Na mesma linha, Jürgen Schriewer refere que o estudo da alteridade nunca perdeu o valor, função e foco autorreferenciado. Este estudo sobre a alteridade em educação foi, segundo os mesmos autores, desenvolvido de acordo com diferentes perspetivas e conjunturas teóricas, metodológicas e históricas (conhecer, compreender, construir e medir o Outro) e/ou como um modo cognitivo de governança, do qual derivam confrontos igualmente cognitivos (teóricos, metodológicos e políticos), conduzido por discursos, modelos e atores transnacionais.
 
Entre o ensaio de Marc-Antoine Jullien de Paris e, por exemplo, os mais recentes resultados do Program for International Student Assessment (PISA), implementado pela OCDE a partir de 2000, uma grande variedade de teorias, métodos, abordagens, objetos e tecnologias, convencionais ou críticos, tem sido desenvolvida no campo da Educação Comparada. Neste sentido, a Educação, Sociedade & Culturas convida à apresentação de propostas de artigos sobre diferentes histórias de educação comparada e a sua interconexão com a internacionalização de modelos educativos nas seguintes línguas: Francês, Espanhol/Castelhano, Inglês e Português.